Eleições 2002

Pesquisas do MAS anteciparam
o voto por mudança

O MAS Pesquisa de Mercado ofereceu durante 2002, resultados de pesquisas eleitorais à imprensa, políticos e à sociedade, retratando a população das sete cidades que compõem a região Oeste da Grande São Paulo, com humildade e profissionalismo, possibilitando que qualquer candidato, utilizasse os resultados como instrumento de planejamento e estratégia.

Os resultados colhidos junto aos eleitores da região apontavam, desde o final de 2001, a tendência de uma nova postura do eleitorado, também detectada pelos grandes institutos em nível nacional.

Assim como o Ibope e Datafolha, o MAS obteve desempenho altamente positivo, pois registrou a existência de fendas nas estruturas políticas edificadas nos últimos 20 anos na região, confirmadas com a abertura das urnas.

As pesquisas do MAS refletiam dificuldades concretas na transferência de votos das lideranças regionais para seus candidatos, mesmo munidos de influência, máquina administrativa e poder econômico. Registramos aqui três casos, em que os candidatos acreditaram, ou não, nessa tendência, e o que ganharam com isso.

Reflexos das pesquisas em Itapevi

Um exemplo de candidato que soube aproveitar os dados da pesquisa do MAS, é o deputado estadual reeleito, João Caramez. Em maio, na entrevista coletiva concedida pelo MAS, no auditório da ESPM, a análise dos resultados feita por Marcos Agostinho Silva, deixava claro que se o candidato dependesse da região e de Itapevi em especial, perderia as eleições. João Caramez driblou a dificuldade apontada, passando a realizar um trabalho em todo o Estado. Foi eleito com 104.648 votos, porém obteve na região Oeste, 32.479, dos quais, 22.239 vieram de Itapevi, seu reduto.

Sua rival, Dra. Ruth alcançou 20.132 votos em Itapevi e no total 25.917. Este quadro reflete a disputa da prefeitura em 2000, e poderá estar presente em 2004.

Barueri registrou crescimento da oposição

Exemplo de candidato que não aproveitou o resultado de pesquisa, é o vice-prefeito de Barueri, Waine Billafon, que mesmo sendo alertado a respeito do tímido efeito da transferência de votos, preferiu acreditar apenas na força das lideranças municipais, e não cresceu fora da região. Sua votação no estado chegou a 43.830 votos, na região obteve 39.663, sendo que em Barueri, reuniu 31.528 votos.

Melão, o candidato apontado pelo MAS como zebra, sem apoio e estrutura, alcançou 27.028 no Estado, 25.199 na região, e 23.206 em Barueri. A quinta maior votação do PV, e última da lista dos candidatos eleitos, foi de 28.660, apenas 1.500 votos a mais que Melão, agora, segundo suplente.

Agnério, candidato do PT, acumulou 12.672 votos, sendo 11.819 na região, destes, 10.870 em Barueri. Pela primeira vez em 20 anos, neste município, os votos da oposição praticamente empataram com os da situação: Melão e Agnério juntos, obtiveram 34.076, contra 39.663 votos de Billafon.

Oposição se consolida em Osasco

Vale ainda, comentar o comportamento dos eleitores de Osasco, os quais já sinalizaram, em 2000, o desejo de mudança na disputa para prefeito, quando Emídio quase ganhou as eleições, com 49% dos votos válidos, contra 51% de Celso Giglio. Agora, com a maciça votação da dobrada João Paulo/Emídio, e a derrota dos candidatos do prefeito, Dr. Kleber/Yamato, é possível prever as grandes dificuldades no próximo pleito, em 2004, para a situação.

Acertos do MAS

A pesquisa de intenção de voto de 10 a 19 de setembro, trouxe as posições do ranking apresentado pelo MAS. Em entrevista coletiva, Marcos Agostinho afirmou a concretização do ranking apontado dependeria da capacidade dos candidatos em estimularem os eleitores até o final da campanha, haja vista que faltando 15 dias para as eleições, existiam 47% de eleitores que não iriam votar em ninguém e indecisos. Por outro lado, apenas 15% sabiam o número do seu candidato.

Analisando o ranking apresentado na entrevista coletiva realizada em 24 de setembro no auditório da Associação de Imprensa da Região Oeste, em que se destacavam os candidatos Billafon, Emídio, Délbio e Melão, vemos como fator decisivo a "onda Lula", que elevou os votos de todos os candidatos do PT, e como reflexo na região, favoreceu Emídio em Osasco, afetando a candidatura de Délbio.

Em Barueri, Billafon e Melão "morreram abraçados": se o candidato da oposição foi um dos impedimentos da vitória da situação, Melão amargou a perda de 1.500 votos que seriam necessários para sua eleição, captados por Agnério favorecido pela "onda Lula" .

Para deputado federal, os dois candidatos apareciam à frente na pesquisa tiveram votações expressivas: João Paulo com base eleitoral em Osasco e Fernando Chucre em Carapicuíba.

No caso de João Paulo, do PT, ficou conhecido pela atuação na Câmara dos Deputados, e obteve a maior votação em Osasco: 87.912 e na região: 115.646.

O prefeito Fuad Chucre conseguiu transferir seus votos para o filho, Femando Chucre, como pretendia, sendo escolhido por 76.660 eleitores do município e 90.408 na região. Porém, sua candidatura foi prejudicada pelo cálculo do quociente eleitoral.

2004 vem aí...

Passado o primeiro impacto das eleições, ex-candidatos e lideranças se preparam para olhar o que vem pela frente. Os políticos que acreditam possuir influência política suficiente para resistir às mudanças históricas, começam a visualizar a desestabilização de seus castelos. É crucial que os agentes políticos da região Oeste vejam a história sendo reescrita, e analisem os fatos, caso pretendam se manter como referências.




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