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TERCEIRO SETOR

Como planejar a avaliação de um projeto social? (IV)
Dalberto Adulis

Diferentes abordagens: Qualitativa ou Quantitativa?

O debate entre defensores de abordagens qualitativas e quantitativas, que é histórico nas ciências
sociais, se reproduz nas discussões sobre avaliação de projetos sociais.

Os defensores das abordagens qualitativas destacam a necessidade de conhecimento profundo sobre os fatos analisados, ao passo que os avaliadores voltados à abordagem quantitativa valorizam a possibilidade de mensuração, comparação e generalização dos resultados obtidos através de suas abordagens.

As abordagens qualitativas permitem o estudo de questões, casos ou eventos em maior profundidade, permitindo que o pesquisador conheça com maior riqueza as experiências estudadas. As desvantagens dessas abordagens seriam a impossibilidade de generalizar os resultados encontrados ou poder aplicá-los em outros casos, além do custo mais alto em relação às abordagens quantitativas. As pesquisas e avaliações qualitativas geralmente empregam métodos como estudos em profundidade, entrevistas abertas, oficinas, focus groups, observação direta, estudo de casos, pesquisa-ação e análise de documentos.

Já as abordagens quantitativas possibilitam a realização de levantamento de informações junto a um maior número de respondentes a um menor custo, a realização de análises estatísticas e, usualmente, a comparação e generalização de resultados. A desvantagem é que os levantamentos quantitativos não oferecem a mesma profundidade que os qualitativos. As pesquisas e avaliações quantitativas geralmente empregam métodos como aplicação de questionários e coleta e processamento de informações quantitativas.

Em meio ao debate entre abordagens quanti ou qualitativas, é importante lembrar que a escolha de uma ou outra abordagem depende dos objetivos e das questões que se pretende responder com o processo de avaliação. Estes são os elementos-chave para que os gestores ou pesquisadores escolham as abordagens e os métodos de levantamento de dados mais adequados para o seu caso.

Além disso, as avaliações podem ser mistas e se valer da chamada "triangulação", empregando
diferentes abordagens e métodos de pesquisa. Para muitos, este é o tipo ideal de avaliação por
combinar as vantagens de cada uma das abordagens, porém tende a ser mais caro e demorado.


Próximos passos

Ao ter clareza sobre os objetivos, o tipo de avaliação e a abordagem que se pretende utilizar, os responsáveis podem avançar no processo de planejamento da avaliação tomando outras decisões metodológicas importantes, como:

  • Determinar as fontes de informação que serão utilizadas (dados secundários e primários)
  • Identificar o universo de estudo e os informantes
  • Definir a população, a amostra e os procedimentos de amostragem que serão empregados
  • Escolher os métodos e desenhar os instrumentos para a coleta de dados (entrevistas, estudos de caso, observação, oficinas ou experimentos)
  • Elaborar um plano para a realização do trabalho de campo (coleta de dados)
  • Elaborar um plano de análise das informações que serão levantados.

Ao término desta etapa, os responsáveis passam a contar com um plano que deve nortear todas as demais atividades do processo de avaliação.

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Referências Bibliográficas

Chianca, Thomaz (2001). Avaliando Programas Sociais: Conceitos, Princípios e Práticas. In Thomaz, Chianca:. Desenvolvendo a Cultura de Avaliação em Organizações da Sociedade Civil. Global: São Paulo. Fondo de Cultura Económica de Argentina S.A.: Buenos Aires.

Reis, Liliane da Costa (1999) Avaliação de projetos como instrumento de gestão In: Apoio à gestão . Rio de Janeiro; site da Rits; 1999; Artigo.

SIEMPRO/UNESCO (1999). Gestión Integral de Programas Sociales Orientada a Resultados: Manual Metodológico para la Planificación y Evaluación de Programas Sociales.

Tashereau (1998). Evaluating the Impact of Training and Institutional Development: A Collaborative Approach. Economic Developmente Institute of the World Bank: Washington.

Valarelli, Leandro (1999) Indicadores de resultados de projetos sociais. In: Apoio à gestão . Rio de Janeiro; site da Rits; 1999; Artigo.

Leia os anteriores:
Como planejar a avaliação de um projeto social? (I)
Como planejar a avaliação de um projeto social? (II)

Leia também:
Onze coisas que você precisa saber antes de fazer uma doação
(I) | (II) |
(III) | (IV)



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