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Marketing Total TERCEIRO
SETOR
Onze
coisas que você precisa saber antes de fazer uma doação
I
Artigo Publicado na Revista Você S.A. - fevereiro 1999 -
ano 1 nº8
Fazer caridade
não é simplesmente assinar um cheque e entregá-lo
a uma entidade beneficente. Para que seu ato seja eficaz, é
preciso participar.
Por Dalen Jacomino
Seriam os brasileiros
pessoas generosas? A se fiar nas estatísticas disponíveis,
nem tanto. Cada
brasileiro que paga imposto de renda desembolsa, em média,
23 reais por ano em doações. Nos Estados Unidos, são
gastos 780 reais (400 dólares) com esse mesmo objetivo.
Essa diferença
tem algumas explicações. A primeira delas, óbvia,
é que os brasileiros, em média, têm menos dinheiro
que os americanos. A segunda é mais complicada: não
faz parte da cultura nacional levar a sério contribuições
para obras ou entidades meritórias. Enquanto os americanos
são conhecidos por sua tradição em fazer filantropia,
os brasileiros ainda estão no pré-primário
desta escola. Podem dar, e dão, uma esmola aqui e ali para
o mendigo que estende a mão, mas em geral, têm pouco
interesse em ações consistentes de ajuda ao próximo.
O resultado
é que há uma distância longa entre a maioria
das instituições beneficentes e seus
colaboradores potenciais, sejam empresas ou pessoas físicas.
A falta de transparência na administração das
entidades, a pouca divulgação dos resultados dos projetos
e a escassez de orientações sobre como fazer a doação
de forma eficiente atrapalham ainda mais essa situação.
Dados apresentados
pela Kanitz & Associados, empresa de São Paulo que organiza
o Prêmio Bem Eficiente, destinado às entidades filantrópicas,
revelam, por exemplo, que 54% dos jovens brasileiros querem ser
voluntários mas não sabem como começar. Os
motivos são diversos. Em geral, as pessoas fazem doações
ou contribuições por pressão do grupo, culpa,
obrigação ou por prazer.
Seja qual for
o seu motivo, é preciso encarar o ato de caridade como um
negócio, que envolve pesquisas prévias, definição
de metas e acompanhamento dos resultados. Mas, fique atento. Nesse
caso, o que se mede não são os resultados financeiros,
mas sim, os benefícios efetivos que poderão ser alcançados
com o auxílio de sua contribuição. "É
preciso mais racionalidade e menos emoção na hora
de se fazer uma doação", afirma Léo Voigt,
vice-presidente do Gife - Grupo de Instituições, Fundações
e Empresas - que reúne mais de 40 entidades filantrópicas
brasileiras. "É muito fácil errar na área
social".
Prova disso
é que no chamado Terceiro Setor, o social tende a se profissionalizar
cada vez mais. A Harvard Business School, nos Estados Unidos, tem
especializações voltadas para as questões sociais.
A Fundação Getúlio Vargas possui uma cadeira
específica sobre o assunto, que orienta a administração
de trabalhos voltados para a comunidade. A Faculdade de Economia
e Administração da Universidade de São Paulo,
USP, e a Pontifícia Universidade Católica, PUC, também
contam com núcleos de estudos sobre o assunto.
Para ajudá-lo
a não errar na hora de doar, VOCÊ S.A. ouviu especialistas
do mercado e preparou o roteiro a seguir. Veja os 11 itens mais
importantes a serem considerados para que você não
jogue seu dinheiro fora e realmente ajude quem precisa.
1)
Aprenda com os erros dos outros Se você não tem experiência
no assunto, vá com calma. Afinal, ninguém quer ver seu dinheiro
escorrer pelo ralo. Primeiro, aproxime-se de quem já está habituado
a fazer doações, como amigos, vizinhos ou
representantes da comunidade. Aprenda como essas pessoas executam
as contribuições. Tire suas dúvidas, peça
dicas, questione, discuta vantagens e desvantagens, "Esse primeiro
contato é muito importante, porque, com ele, você poderá
evitar enganos que já foram cometidos pelos outros",
afirma Léo Voigt, do Gife.
Continua:
Onze coisas que você precisa
saber antes de fazer uma doação (II)
Onze coisas que você precisa
saber antes de fazer uma doação (III)
Onze
coisas que você precisa saber antes de fazer uma doação
(IV)
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