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Marketing
Total POLÍTICA "AS PESSOAS
PRIMEIRO" Slogan
de campanha do Partido Socialista nas Eleições Legislativas de 1991 (Portugal)
Muito se discute
no seio da opinião pública sobre marketing político
e suas conseqüências, relacionando-o, por vezes, com
propaganda ou até com a necessidade desenfreada e a qualquer
preço de obter o máximo número de votos durante
um período eleitoral. Esta postura representa um erro, quer
pela falta de compreensão dos conceitos envolvidos, quer
pela associação negativa a fenômenos do passado.
Marketing político
não é propaganda, e, ao contrário do que muitas
vezes é entendido pela classe política, não
se restringe a realizar operações de construção
da imagem de um candidato ou em promover, através de uma
organização espetacular, um comício com objetivos
mediáticos. Ao encarar o marketing político como um
exercício de construção de imagem, estamos,
ironicamente, a confundi-lo com uma das suas componentes, dado que
o sucesso da aplicação de um programa de marketing
nesta área resulta da ampla satisfação das
necessidades e expectativas dos eleitores, relativamente ao que
anseiam de uma organização política.
É no
ano de 1952 que pela primeira vez um candidato às eleições
presidenciais americanas, o General Eisenhower, solicita a uma agência
de publicidade a realização de uma campanha de spots
televisivos. Nasce, então, uma expressão crítica
que questiona se um candidato "deverá ser vendido como
um sabonete". Neste sentido, devemos ter em conta que um candidato
ou um programa eleitoral não eqüivalem a um produto,
um comício não é um ponto de venda, bem como
o desgaste psicológico que exige o ato de votar não
é comparável ao preço que se paga por um bem
ou serviço. Estas são algumas comparações
que se estabelecem entre o marketing dito comercial e o marketing
político, contribuindo para o descrédito deste último.
Sendo assim,
o marketing político é definido como o conjunto de
técnicas e métodos que uma
organização política dispõe para conhecer
os seus públicos e neles exercer influência, ou, mais
precisamente, é o processo de favorecer um candidato aos
seus eleitores, diferenciando-o dos seus concorrentes e utilizando
o mínimo de recursos. As suas áreas ou domínios
de intervenção são definidas por Denis Lindon
na sua obra "Marketing Político": estudo do eleitorado
e criação de estratégias de comunicação.
O estudo do
eleitorado é o equivalente ao estudo de mercado no marketing
convencional e constitui a primeira etapa de uma campanha de marketing
político. Tem por objetivo conhecer, compreender e prever
as atitudes e os comportamentos do eleitorado. Consiste na recolha
e análise de informação sobre as características,
desejos, motivações, aspirações, anseios,
processos de decisão e comportamentos dos públicos
pelos quais uma organização se interessa.
De fato, para
agir sobre um público é indispensável conhecê-lo,
ou seja, para criar empatia com os eleitores e, particularmente,
saber a quais entre eles nos havemos de dirigir, é necessário
saber quem são, como pensam e como tomam as suas decisões
de voto. Então, é necessário aplicar métodos
sistemáticos e científicos de estudo eleitoral, contrapondo
com os métodos empíricos geralmente utilizados. Estes,
os científicos, podem ser classificados em duas grandes categorias,
sendo que a primeira a desenvolver deverá ser a análise
estatística das características sócio-demográficas
da população ou de um segmento da mesma, através
de dados oficiais disponíveis.
Geralmente, este é um método mais simples e menos
honroso e deve constituir-se como ponto de partida para outros processos,
nomeadamente os inquéritos de opinião cujos objetivos
são a recolha dos valores, aspirações, atitudes
e intenções de voto dos eleitores.
O voto dos eleitores
não exprime apenas um sentimento ou predisposição
instantânea ¾ constituído por
preocupações e aspirações imediatas
¾ nem a percepção imediata dos interesses pessoais,
econômicos e sociais, ou ainda, o julgamento que possuem sobre
as capacidades e aptidões dos candidatos. Reflete, no entanto,
certas atitudes profundas que, muitas vezes, se encontram à
margem do conhecimento da sociedade e das organizações
políticas.
Quando se afirma
que alguém é comunista, socialista, liberal ou social-democrata,
não nos estamos a referir simplesmente a uma avaliação
da posição conjuntural do indivíduo sobre os
problemas da atualidade, mas sim às suas atitudes políticas
fundamentais ou, ainda, ao que podemos apelidar como o seu temperamento
político. Deste modo, se podemos afirmar que temperamento
político de cada indivíduo determina o seu sentido
de voto, então é necessário conhecer estas
características dos eleitores.
André Vilares
Morgado
Leia
mais:
Cálculo
do quociente eleitoral
TSE
- Resolução n° 21.576-Instrução
n° 72 (Pesquisas Eleitorais - 2004)
Os riscos do marketing na política
(Sandra Cavalcanti )
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