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Marketing Total POLÍTICA
Foi de imenso
proveito a leitura do texto da ilustre escritora Sandra Cavalcanti.
Sua autoridade em temas de ordem política, aliada aos pensamentos
de Maquiavel, só fazem confirmar a perspectiva proposta pelo
MAS no campo político: "O que mais contribui para a
estima de um príncipe são as suas realizações
e os extraordinários exemplos de seus méritos."
Promover a leitura desta estima tem sido a contribuição
do MAS aos administradores públicos, que nem sempre têm
clareza quanto a opinião popular acerca de seu trabalho.
No resultado da pesquisa oadministrador terá a certeza do
grau de estima e reconhecimento do seu trabalhona visão dos
eleitores.
Marcos Agostinho Silva
Os
riscos do marketing na política Sandra Cavalcanti
O mundo da política
não é igual ao mundo do comércio. As leis do
mercado não são as leis da política.
Não se vende uma imagem como se vende um produto. Há
imensas diferenças, distâncias infinitas,
que é preciso entender e respeitar.
A grande regra da vida pública foi traçada por Maquiavel.
Lá do fundo de suas meditações, dizia ele:
"O que mais contribui para a estima de um príncipe são
as suas realizações e os extraordinários exemplos
de seus méritos." E, após fazer preciosas observações
sobre esses méritos indispensáveis, Maquiavel acrescentava
outra oportuna opinião: "Aquilo que, antes de mais nada,
serve para que se forme um juízo sobre o príncipe,
e seu entendimento, é ver de que tipo de homem está
cercado. Quando são capazes e fiéis, ele será
considerado sábio. Se não o forem, o juízo
sobre o príncipe não será favorável..."
No Brasil, muita gente cita Maquiavel sem nunca ter lido os seus
famosos escritos. Todo mundo acha que foi o criador das teorias
sobre o cinismo político. Muitos consideram maquiavélicos
os que não usam de escrúpulos ou não têm
moral.
Coitado de Maquiavel!
Ele sustentou justamente o contrário. Ele até pretendeu,
num compêndio extremamente prático, alertar o magnífico
Lorenzo de Médicis, apontando-lhe os caminhos do bom comportamento
político. Tentou transmitir-lhe princípios e normas
de uma ética voltada para o bem do povo.
Quando o famoso
monge dominicano Jerônimo Savonarola, que implantou em Florença,
por três anos,
a suposta democracia tecnocrática (na qual até crianças
trabalhavam como espiãs, dedurando heréticos), acabou
enforcado e queimado em praça pública, Maquiavel foi
convidado a ocupar o posto de secretário da Segunda Chancelaria
da República Florentina. Isso tudo em 1498, dois anos antes
de o Brasil ser descoberto...
A tal República Florentina elegeu dez magistrados para governá-la,
os chamados "Dez de Liberdade e Paz". Foram 14 anos de
intrigas, brigas internas, conspirações e dificuldades
financeiras. A tudo Maquiavel assistiu, lúcido e observador.
Quando, por fim, os partidários de Médicis derrubaram
os "Dez" e assumiram o poder, Maquiavel perdeu o emprego
e se recolheu a uma espécie de retiro voluntário,
perto de Florença. Ali escreveu De Principatibus (Sobre os
Principados), primeiro título da obra que, mais tarde, com
o nome de O Príncipe, atravessaria os séculos.
É um
tratado simples e humano sobre o poder. Sobre a natureza. Sobre
as suas características. Sobre como exercê-lo. Como
retê-lo, como conquistá-lo e como perdê-lo. Para
os nossos tempos, esse tratado é um manancial de sabedoria.
Cheio de lições para os que se ocupam com as questões
da imagem dos que estão no poder. Com a imagem das entidades.
Com a imagem dos dirigentes.
Atualmente,
gasta-se muito dinheiro com a construção de imagem
e com o modo mais eficiente de vendê-la. O marketing acaba
girando em torno da escolha de nomes para o produto novo ou da criação
de impactos de consumo junto aos pobres cidadãos. Mas nada
disso se aplica ao exercício do poder público, como
ensina Maquiavel. Ninguém torna um político, um governante
ou um candidato mais simpático, mais confiável, mais
líder, mais tranquilizador, a não ser o testemunho
vivo de suas realizações e o progressivo conhecimento
de sua figura real. Não se pode construir comercialmente
uma imagem diferente daquela que existe no personagem.A esse respeito,
aliás, vale recordar, também, a opinião de
outro monstro sagrado da vida política.
"É
possível enganar todo mundo durante algum tempo. É
possível enganar algumas pessoas todo o tempo. O que não
é possível é enganar todo mundo por todo o
tempo."
Isso
dizia Abraham Lincoln, do alto de sua estatura física e do topo de sua
imensa estatura moral.
Portanto, a imagem do político é o produto do testemunho
que sua vida oferece ao povo. Não pode haver marketing para
isso. Não pode haver montagens. Se o personagem é
introvertido, sisudo, calado, é assim que ele deve mostrar-se
aos olhos de seu povo. Porque o que vai valer são as suas
obras. Os seus atos. As suas decisões. As suas definições.
A sua coragem. A sua lealdade.
Não
importa que ria ou que viva sério. Que seja bonito e jovem ou velho e alquebrado.
Que diga frases
populares ou prefira ouvir, silencioso.
O que importa
é ser. O verbo parecer pode ser um bom ajudante. Um acólito
muito útil. Mas só quando a pessoa se parece com o
que é.
Sandra
Cavalcanti é educadora e escritora. Artigo publicado no jornal "O
Estado de São Paulo, página A2 - Espaço Aberto, de 28 de
maio de 2002.
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