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ELEIÇÕES 2006: UMA PONTE
PARA 2008

Marcos Agostinho
Diretor
do Seu Mercado
Talvez as eleições majoritárias
e proporcionais ocorram em 2006. Isso pelo fato de ser primeiro
pleito desse tipo após a vitória do PT na disputa
pela Presidência da República algo que
mudou toda a configuração política do
País, ou seja, a "esquerda" no poder. E não
só por isso. Acrescenta-se ainda a guinada do PSDB
na cidade de São Paulo com José Serra e a derrota
de Marta Suplicy. Isso para citar casos mais populares.
Para citar um exemplo dessa disputa pré-2006,
analisemos um microcosmo da política nacional, que
é representada pela região Oeste da Grande São
Paulo, que concentra 1% do eleitorado do País, e onde
o período de pré-aquecimento para as eleições
de 2006 já foi (mesmo que timidamente) deflagrado por
candidatos de diferentes cidades. Em alguns casos o assunto
tem ocupado mais espaço na mídia. Nomes fortes
já falam decisivamente do pleito do próximo
ano, entretanto, outros preferem não comentar de forma
emblemática. Evidentemente, quando falamos de 2006
estamos pensando em 2008 (quando ocorrem as eleições
municipais).
Pois nesta região Oeste destaco
figura de destaque nacional, como João Paulo Cunha,
ex-presidenre da Câmara Federal e um dos pré-candidatos
do PT ao governo do Estado, cuja base política se consolida
a partir da maior vitória do partido no Estado, já
que Emidio de Souza foi eleito prefeito de Osasco. Além
dele, cito Francisco Rossi (PMDB), quase eleito governador
de São Paulo, no segundo turno, em 1994.
Em Barueri e Santana de Parnaíba,
cidades que despontam pelo poderio econômico, por exemplo,
existe a possibilidade dos ex-prefeitos, respectivamente,
Gil Arantes (PFL) e Silvinho Peccioli (PFL) saírem
candidatos a deputados estadual e federal. Essa pelo menos
é a tese inicial das relações políticas
entre os grupos dos quais ambos fazem parte e com o apoio
já declarado do prefeito Rubens Furlan (PPS)
que já foi um dos deputados federais mais bem votados
do país, cujo grupo está no poder a mais de
20 anos. O atual prefeito ainda tem a sua filha Bruna Furlan
como uma possível candidata a deputada estadual e que
poderia até mesmo sair no lugar de Gil. Barueri ainda
pode ter Jaques Munhoz e Humberto Melão na disputa
em 2006.
Em Jandira, com a reeleição
do atual prefeito, Paulinho Bururu (PT), o mais provável
é que Geraldo Teotônio (PT) lance sua candidatura
para 2006 e 2008.
Já em Carapicuiba, para 2006 desponta-se,
mais uma vez, a candidatura de Fernando Chucre (PSDB), filho
do prefeito reeleito Fuad Chucre (PSDB). O tucando Fernando
ficou como segundo suplente com mais de 100 mil votos.
Em Itapevi, existe uma importância
especial por ter gerado o primeiro secretário de Estado
da região, o deputado estadual João Caramez
(PSDB), cuja esposa, Dalvani Caramez, exerceu mandato de prefeita
entre 2001-2004, perdendo a reeleição nas urnas
para a sua principal oponente, a médica Maria Ruth
Banholzer (PPS).
Cabe aqui um parêntese sobre Itapevi.
A análise mais recente e que vem acompanhada,
talvez, de receios é a disputa jurídica
pela qual passam a prefeita eleita de Itapevi, Ruth e a sua
adversária política Dalvani. O que acontece
é que Ruth é acusada pelo grupo de Dalvani de
abuso de poder econômico, assunto que também
foi argumentado pela Justiça Eleitoral de Itapevi e
pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo para
afastar a prefeita eleita do cargo em 18 de março.
Dalvani assumiu o cargo no dia 12 de março por determinação
judicial e Ruth entra com recurso no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), em Brasília. A situação jurídica
que envolve os grupos de Ruth e Dalvani é, definitivamente,
um entrave pré-eleitoral que poderá ser usado
na campanha de 2006 e 2008 por ambas partes.
Pelo que podemos perceber, o embate entre
as forças políticas, base de sustentação
e oposição ao governo Lula, encontra-se dividido
na região, e a tônica dessa disputa infelizmente
não se dará pela questão das realizações
ou sucesso dos projetos desenvolvidos pelos mandatários
políticos e, sim, a partir dos métodos pelos
quais chegaram ao poder. Basta esperar mais um pouco para
surgir na imprensa novamente o desarquivamento do caso Celso
Daniel (com seis testemunhas assassinadas desde o início
do processo!)
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